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Tipo: Livro
Título: INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NO PROCESSO EDUCACIONAL: DESAFIOS E POSSIBILIDADES
Autor(es): Paiva, Sofia Larissa
Justino, Rógerio
Bertolli, Sarah Suzane
Resumo: A educação atravessa, neste século, uma das mais profundas transformações de sua história. O avanço acelerado das tecnologias digitais e, em especial, da Inteligência Artificial (IA), inaugura novas formas de produzir, acessar, organizar e compartilhar conhecimen- tos, desafiando concepções historicamente consolidadas sobre ensi- nar, aprender, pesquisar e avaliar. Em poucos anos, sistemas capazes de interpretar linguagem natural, gerar textos, imagens, códigos e resolver problemas complexos passaram a integrar o cotidiano de mi- lhões de pessoas, alterando práticas profissionais, relações sociais e, inevitavelmente, os processos educativos. Esse cenário convida educadores, pesquisadores, gestores e for- muladores de políticas públicas a refletirem para além do entusiasmo tecnológico ou do temor diante do novo. A Inteligência Artificial não constitui apenas uma ferramenta adicional disponível ao professor ou ao estudante; ela representa uma mudança paradigmática que exige revisitar concepções pedagógicas, curriculares, éticas e epistemo- lógicas. Questões relacionadas à autoria, à criatividade, à avaliação da aprendizagem, à produção do conhecimento, à privacidade dos dados, aos vieses algorítmicos e às desigualdades de acesso passam a ocupar posição central no debate educacional contemporâneo. No contexto brasileiro, essa discussão ganha contornos ain- da mais significativos diante da consolidação da Base Nacional Comum Curricular, da BNCC Computação, da Política Nacional de Educação Digital e das crescentes demandas por formação docen- te para uma cultura digital crítica e responsável. Se, por um lado, a Inteligência Artificial amplia possibilidades inéditas de personaliza- ção do ensino, apoio à aprendizagem e democratização do acesso à informação, por outro evidencia desafios históricos relacionados às desigualdades sociais, às diferenças de infraestrutura tecnológica en- tre as escolas e à necessidade de formação crítica para o uso conscien- te dessas ferramentas. Mais do que aprender a utilizar plataformas baseadas em IA, torna-se indispensável compreender seus fundamentos, seus limites, seus impactos sociais e suas implicações éticas. Em uma sociedade profundamente mediada por algoritmos, educar significa também desenvolver competências para questionar, interpretar, validar infor- mações, reconhecer vieses, produzir conhecimento com responsa- bilidade e exercer uma cidadania digital comprometida com valores democráticos, científicos e humanísticos. A educação continua sen- do, acima de tudo, um processo de formação humana, e nenhuma inovação tecnológica substitui a capacidade de reflexão, diálogo, criatividade e sensibilidade que caracteriza o trabalho docente. É nesse horizonte que se insere a presente coletânea. Inteligência Artificial (IA) no Processo Educacional: desafios e possibilidades reúne pesquisadores de diferentes instituições e áreas do conhecimento que, sob perspectivas complementares, analisam as múltiplas interfaces entre Inteligência Artificial e educação. Os textos aqui apresentados dialogam entre si ao abordar tanto os potenciais pedagógicos quanto os desafios éticos, epistemológicos e formativos decorrentes da incorporação dessas tecnologias aos diferentes níveis de ensino. A obra inicia-se com o capítulo Inteligência Artificial na Educação: uma análise de publicações em periódicos brasileiros Qualis A, de Rita Rodrigues de Souza e Leizer Fernandes Moraes, que realiza um panorama da produção científica nacional, permitindo ao leitor compreender como a temática vem sendo investigada nos principais periódicos brasileiros e quais tendências emergem desse campo de pesquisa em expansão. Na sequência, Elisângela Silva Dias e Maurício Rodrigues Lima, no capítulo Inteligência Artificial na Educação: trajetória, desafios e mediação pedagógica, apresentam uma discussão ampla acerca das re- lações entre IA e práticas educacionais, oferecendo bases conceituais para compreender os desafios e as possibilidades que acompanham a inserção dessas tecnologias no cenário escolar contemporâneo. O capítulo Do ‘Quem Digitou?’ ao ‘Quem Aprendeu?’: Inteligência Artificial, fascínio e formação crítica, de Rogério Justino, desloca o foco das ferramentas para a aprendizagem, propondo uma reflexão insti- gante sobre o risco de reduzir a educação ao simples uso da tecnolo- gia. O autor convida o leitor a repensar o papel da formação crítica diante do crescente fascínio provocado pelas soluções baseadas em Inteligência Artificial. Em E quando a resposta já vem pronta? Educação crítica e letra- mento digital responsável na era da Inteligência Artificial, Woska Pires da Costa aprofunda o debate acerca do letramento digital, problemati- zando a relação entre respostas automatizadas, autonomia intelectual e formação cidadã. O texto destaca a importância de desenvolver su- jeitos capazes de interpretar, avaliar e utilizar criticamente os conteú- dos produzidos por sistemas inteligentes. As implicações da IA para o ensino da Matemática são aborda- das por Greiton Toledo de Azevedo e Marcus Vinicius Maltempi no capítulo Pensar ou apertar o botão? Inteligência Artificial e aprendiza- gem matemática. Os autores discutem como as tecnologias inteligen- tes podem tanto potencializar quanto limitar processos cognitivos, enfatizando a necessidade de preservar o raciocínio matemático, a resolução de problemas e o desenvolvimento do pensamento lógico. No capítulo Inteligência Artificial e pesquisa escolar na Educação Básica: desafios éticos e formativos em uma feira científica, Robson Gonçalves do Carmo e Sarah Suzane Bertolli apresentam uma re- flexão ancorada no contexto da Educação Básica, discutindo os im- pactos da IA sobre a pesquisa escolar, a autoria, a ética acadêmica e a formação investigativa dos estudantes. Ao abordar uma experiên- cia vinculada a uma feira científica, os autores evidenciam como a Inteligência Artificial pode constituir simultaneamente oportunida- de pedagógica e desafio formativo, exigindo mediação docente, crité- rios éticos e fortalecimento da autonomia intelectual. Encerrando a coletânea, Sofia Larissa da Costa Paiva, em Educação na era da Inteligência Artificial: o que precisa ser ensinado?, amplia o horizonte da discussão ao problematizar quais conhecimen- tos, competências e valores tornam-se essenciais para a formação de estudantes em uma sociedade marcada pela presença crescente da Inteligência Artificial. O capítulo reafirma o compromisso da educa- ção com a formação integral, ultrapassando a mera aprendizagem de ferramentas tecnológicas. Ao reunir diferentes olhares sobre um tema de extraordinária atualidade, esta obra reafirma que a Inteligência Artificial não deve ser compreendida apenas como inovação tecnológica, mas como fenô- meno social, cultural, ético e educacional que demanda investigação permanente e diálogo interdisciplinar. Os capítulos aqui apresenta- dos demonstram que os desafios impostos pela IA não serão enfrenta- dos exclusivamente pelo avanço das tecnologias, mas sobretudo pela capacidade da educação de formar sujeitos críticos, criativos, éticos e comprometidos com a construção coletiva do conhecimento. Esperamos que este livro contribua para qualificar o debate acadêmico, subsidiar práticas pedagógicas, inspirar novas pesquisas e fortalecer uma compreensão humanizada da Inteligência Artificial na educação. Que as reflexões reunidas nestas páginas estimulem pro- fessores, pesquisadores, estudantes e gestores a compreenderem que, diante de tecnologias cada vez mais sofisticadas, permanece atual uma convicção fundamental: o centro do processo educativo conti- nua sendo o ser humano e sua permanente capacidade de aprender, pensar, criar e transformar a realidade.
Abstract: Education is undergoing one of the most profound transformations in its history due to the rapid advancement of digital technologies, particularly Artificial Intelligence (AI). The integration of AI into educational contexts has introduced new ways of producing, accessing, organizing, and sharing knowledge, challenging traditional conceptions of teaching, learning, research, and assessment. This scenario requires educators, researchers, managers, and policymakers to look beyond both technological enthusiasm and fear of innovation. AI represents a paradigm shift that raises important pedagogical, curricular, ethical, and epistemological questions concerning authorship, creativity, assessment, knowledge production, data privacy, algorithmic bias, and unequal access to technology. In Brazil, these discussions are particularly relevant in light of the National Common Curricular Base (BNCC), BNCC Computing, the National Digital Education Policy, and the growing need for teacher training focused on critical and responsible digital culture. Although AI offers significant opportunities for personalized learning, educational support, and broader access to information, it also highlights persistent inequalities in infrastructure, access, and digital literacy. The book *Artificial Intelligence (AI) in the Educational Process: Challenges and Possibilities* brings together researchers from different institutions and fields to examine the multiple relationships between AI and education. The chapters address topics such as the Brazilian academic production on AI in education, pedagogical mediation, critical education, responsible digital literacy, mathematics education, school research, academic ethics, authorship, and the knowledge and skills required for education in an AI-driven society. Overall, the collection emphasizes that AI should not be understood merely as a technological innovation, but as a social, cultural, ethical, and educational phenomenon that requires continuous research and interdisciplinary dialogue. The authors highlight the importance of preserving critical thinking, creativity, autonomy, ethical responsibility, problem-solving, and human interaction in educational processes. The central message of the book is that, despite the increasing sophistication of AI technologies, **the human being must remain at the center of education**. AI can expand educational possibilities, but it cannot replace the reflection, dialogue, creativity, sensitivity, and human capacity to learn, think, create, and transform reality.
Palavras-chave: Educação
Inteligência artificial
Tecnologias digitais
Formação Docente
Letramento digital
Área do CNPq: CIENCIAS HUMANAS::EDUCACAO
Idioma: por
Pais: Brasil
Editor: Instituto Federal Goiano
Sigla da Instituição: IF Goiano
Tipo de Acesso: Acesso Aberto
URI: https://repositorio.ifgoiano.edu.br/handle/prefix/6921
Data do documento: 25-Ago-2026
Aparece nas coleções:Editora IF Goiano

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